Presente em grande parte das cozinhas brasileiras, a panela de pressão ainda é vista com receio por muitas pessoas. O medo de acidentes costuma afastar o público de um utensílio que é sinônimo de eficiência e rapidez no preparo de alimentos.
Para transformar esse temor em confiança, Bruno Alvarenga, docente do Curso Superior de Tecnologia em Gastronomia da Faculdade Senac Belo Horizonte, compartilha orientações essenciais para o uso seguro e correto da panela.
Antes mesmo de acender o fogo
O especialista destaca que o manuseio responsável começa na inspeção dos componentes. “A borracha de vedação deve estar macia, sem rachaduras e bem encaixada”. Além disso, a válvula e as saídas de vapor precisam estar totalmente desobstruídas para garantir o funcionamento regular. Qualquer deformação visível na tampa ou nas travas é um sinal de alerta para não utilizar o recipiente até que seja revisado.
Um dos erros mais comuns é encher excessivamente a panela. A regra prática é nunca ultrapassar o nível máximo indicado, que geralmente corresponde a 2/3 da capacidade total. No entanto, para alimentos que expandem ou fazem espuma, como feijão e grão-de-bico, o cuidado deve ser redobrado, utilizando menos que os 2/3 para evitar que a espuma atinja as válvulas.
Outras recomendações fundamentais:
- Quantidade mínima de líquido: Nunca utilize a panela “a seco”; o vapor é essencial para o cozimento sob pressão.
- Posicionamento no fogão: Use bocas estáveis, com cabos voltados para dentro do fogão para evitar batidas acidentais.
- Controle do fogo: Assim que o utensílio “pegar pressão”, reduza a chama. Manter o fogo alto apenas aumenta o desgaste do sistema e o consumo de gás, sem acelerar o cozimento.
Paciência é fundamental
O momento da abertura do equipamento é onde reside o maior risco de acidentes. “O princípio é: sem pressão, sem força”, afirma Bruno. A forma mais segura de liberar a pressão é desligar o fogo e aguardar que o processo ocorra naturalmente.
O profissional desencoraja a prática comum de passar água fria sobre a panela quente para acelerar o processo. Essa ação pode causar choque térmico e gerar riscos associados ao manuseio apressado, conforme alertam órgãos de segurança como o Corpo de Bombeiros.
Manutenção e higiene
Após o uso, a limpeza deve ser minuciosa, garantindo que nenhum resíduo de tempero ou amido obstrua os dutos de vapor. Para preservar a vida útil da borracha, a recomendação é guardar o recipiente limpo e seco, sem pressionar a tampa para evitar deformações precoces.
As orientações seguem padrões técnicos de uso seguro, recomendados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT e recomendações do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – Inmetro, para que a gastronomia seja praticada em casa com excelência e, acima de tudo, proteção.



