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Nova NR-1 amplia responsabilidade sobre saúde mental e impulsiona soluções tecnológicas nas empresas

A partir de 26 de maio de 2026, empresas brasileiras passam a ter responsabilidade direta sobre a saúde mental de seus colaboradores. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), amplia a obrigatoriedade de identificação, prevenção e monitoramento dos chamados riscos psicossociais, como estresse, ansiedade, burnout e sobrecarga de trabalho.

A mudança, formalizada pela Portaria 765/2025 do Ministério do Trabalho e Emprego, determina que fatores como assédio moral, discriminação, pressão por resultados e condições organizacionais passem a integrar o inventário de riscos das empresas, deixando de restringir a análise apenas aos aspectos físicos do ambiente de trabalho. Na prática, organizações de diferentes portes precisarão adotar medidas estruturadas para acompanhar o bem-estar emocional de suas equipes. O avanço da norma ocorre em um cenário de agravamento da saúde mental no país. Em 2024, o Brasil registrou mais de 470 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais, um aumento expressivo em relação ao ano anterior.

No contexto global, a Organização Mundial da Saúde estima que transtornos como depressão e ansiedade resultem na perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, com impacto de aproximadamente US$1 trilhão na economia mundial. Diante desse cenário, empresas começam a rever suas estratégias e a buscar ferramentas capazes de atender às exigências da norma de forma estruturada. A saúde mental, antes tratada como iniciativa pontual, passa a integrar a gestão de riscos e a tomada de decisão dentro das organizações. “A saúde mental deixou de ser uma pauta periférica e passou a ser uma responsabilidade estratégica e regulatória dentro das empresas”, afirma a terapeuta e especialista em Programação Neurolinguística, Lilian Machado. Segundo a especialista, um dos principais desafios ainda está na forma como as empresas lidam com o tema. “Muitas organizações confundem monitoramento com gestão. Aplicam diagnósticos pontuais, mas sem uma estratégia contínua de prevenção e acompanhamento consistente”, explica.

Nesse contexto, ganham espaço soluções que aliam tecnologia e gestão estruturada. É o caso da INNERA VR Mental Care, plataforma desenvolvida por Lilian Machado, voltada à prevenção e gestão de riscos psicossociais no ambiente corporativo. A solução foi criada para atender às novas exigências da NR-1, permitindo que empresas integrem o cuidado com a saúde mental à rotina de gestão de riscos ocupacionais. A tecnologia utiliza óculos de realidade virtual para conduzir os colaboradores a experiências imersivas em ambientes como praias, florestas e lagos, com o objetivo de promover relaxamento, reduzir o estresse e melhorar o foco ao longo da jornada de trabalho.

As sessões têm duração média de até 10 minutos e podem ser realizadas dentro do próprio ambiente corporativo. Além da experiência imersiva, a plataforma incorpora mecanismos de autoavaliação antes e depois das sessões, cujos dados alimentam painéis de monitoramento que permitem às empresas acompanhar indicadores emocionais em tempo real, auxiliando na identificação de riscos e na tomada de decisão. “O mercado estava saturado de soluções que apenas apontavam problemas. A INNERA surgiu para transformar diagnóstico em ação prática, mensurável e contínua dentro das empresas”, afirma Lilian. Para a especialista, a mudança também representa uma oportunidade estratégica. “Empresas que tratam saúde mental apenas como obrigação fazem o mínimo. As que enxergam como estratégia ganham em produtividade, cultura e competitividade.

Especialistas apontam que o avanço dessas tecnologias também levanta debates sobre os limites do monitoramento emocional no ambiente corporativo, especialmente em relação à privacidade dos trabalhadores e ao uso dos dados coletados. Ainda assim, a tendência é de expansão desse tipo de solução, impulsionada pelas novas exigências regulatórias e pela pressão por ambientes de trabalho mais saudáveis.

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“A saúde mental deixou de ser uma pauta periférica e passou a ser uma responsabilidade estratégica e regulatória dentro das empresas”, afirma a terapeuta e especialista em Programação Neurolinguística, Lilian Machado, CEO da INNERA VR

Confira entrevista com Lilian Machado, terapeuta, especialista em Programação Neurolinguística e CEO da INNERA VR, que atua na gestão de saúde mental e riscos psicossociais no ambiente corporativo, sobre os impactos da NR-1 nas empresas.

O que muda com a nova NR-1 no mundo corporativo quanto à saúde mental?
A atualização da NR-1 marca uma mudança relevante na forma como as empresas tratam a saúde mental e o bem-estar no ambiente de trabalho. Pela primeira vez, os riscos psicossociais passam a integrar oficialmente o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, ao lado dos riscos físicos.

Na prática, isso significa que fatores como estresse, sobrecarga, assédio e pressão por resultados precisam ser identificados, avaliados, monitorados e gerenciados de forma contínua.

A saúde mental deixa de ser uma pauta pontual e passa a fazer parte da estratégia das empresas, com necessidade de método, acompanhamento e indicadores.

Esse tipo de preocupação já vem sendo acompanhado pelas empresas? O que funciona na prática?
A saúde mental já entrou na agenda corporativa, mas ainda de forma pouco estruturada na maioria das empresas. O que se vê são ações pontuais, como palestras, campanhas e programas de apoio, que são importantes, mas não suficientes diante das exigências da NR-1.

O que tende a funcionar é a construção de uma abordagem contínua, com monitoramento de indicadores de saúde mental, integração com a cultura organizacional e ações que realmente impactem o dia a dia dos colaboradores.

A NR-1 reforça a necessidade de sair do discurso e avançar para uma gestão estruturada dos riscos psicossociais.

Como as empresas estão se organizando para cumprir a normativa?
As empresas mais preparadas já estão incorporando a saúde mental e o bem-estar ao seu modelo de gestão de riscos.

Esse movimento começa com o diagnóstico dos riscos psicossociais, passa pela inclusão do tema no Programa de Gerenciamento de Riscos e avança para a implementação de ações contínuas, com apoio de dados e indicadores.

Há também um investimento crescente na preparação das lideranças, já que a forma como a gestão conduz o dia a dia impacta diretamente a saúde mental das equipes.

Nesse contexto, cresce a busca por soluções que ajudem a estruturar esse processo de forma consistente e escalável.

Há receio dos colaboradores em buscar apoio e serem prejudicados?
Sim, essa ainda é uma preocupação presente nas empresas. Muitos profissionais evitam buscar apoio em saúde mental por medo de estigmatização ou impactos na carreira.

Por isso, a construção de uma cultura de bem-estar passa necessariamente por garantir confidencialidade, segurança das informações e acesso não estigmatizante aos recursos de apoio.

A NR-1 também dialoga com esse cenário ao reforçar a importância de ambientes mais seguros do ponto de vista psicossocial, o que exige uma atuação responsável das empresas.

A norma tende a ser efetiva? Como será a fiscalização?
A tendência é que a NR-1 se consolide como um marco na gestão da saúde mental no trabalho, justamente por estar vinculada ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, que já é obrigatório.

A fiscalização deve ocorrer por meio de auditorias, inspeções e análise de documentos e indicadores que comprovem a gestão dos riscos psicossociais.

Ou seja, não será mais suficiente declarar ações de bem-estar — será necessário demonstrar, com evidências, que existe uma gestão contínua e estruturada da saúde mental.

Isso aumenta os custos das empresas?
A adequação à NR-1 representa, antes de tudo, uma mudança de mentalidade na forma como as empresas tratam a saúde mental e o bem-estar no ambiente de trabalho.

Existe um investimento inicial em diagnóstico, organização e implementação, mas ele tende a ser compensado pela redução de custos já existentes, como afastamentos por transtornos mentais, absenteísmo, presenteísmo, rotatividade e riscos trabalhistas.

Além disso, empresas que investem em saúde mental e bem-estar conseguem melhorar indicadores de engajamento, produtividade e clima organizacional, com impacto direto nos resultados.

A NR-1 traz a necessidade de uma gestão contínua, com monitoramento e dados. Nesse cenário, soluções especializadas ganham relevância ao apoiar as empresas na implementação prática dessas exigências.

Ignorar a saúde mental no contexto da NR-1 tende a custar mais caro, tanto do ponto de vista humano quanto financeiro.

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