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Coração da mulher: sintomas atípicos e reconhecimento tardio dificultam prevenção de doenças

Principal causa de morte entre mulheres, as doenças cardiovasculares ainda são subdiagnosticadas e frequentemente subestimadas. Especialistas da Rede Mater Dei de Saúde alertam que diferenças hormonais, sintomas menos típicos e fatores sociais exigem uma abordagem mais específica e contínua por toda a vida.

Segundo a cardiologista do Mater Dei Santo Agostinho e Contorno, Dra. Ingred Andrade, o risco cardiovascular na mulher não é estático – ele varia conforme as fases da vida. A transição para a menopausa, por exemplo, representa um momento crítico. A queda dos níveis hormonais, associada a sintomas como fogachos, as ondas de calor, está relacionada ao aumento da vulnerabilidade cardiovascular e demanda monitoramento mais rigoroso.

Estudos reforçam esse cenário. Pesquisa publicada na revista científica JAMA Cardiology indica que mulheres com menopausa precoce apresentam cerca de 40% mais risco de desenvolver doença cardíaca coronariana ao longo da vida. O dado evidencia a importância de incluir a idade da menopausa e o histórico reprodutivo na avaliação de risco.

“O ideal é que toda mulher tenha acompanhamento cardiológico regular, com um profissional de referência. É preciso trazer esse tema para o cotidiano e para a agenda de saúde”, afirma Dra. Ingred. Segundo ela, hábitos como alimentação equilibrada, prática de atividade física e controle dos fatores de risco são determinantes para reduzir a incidência dos casos.

A coordenadora do Serviço de Cardiologia da Rede Mater Dei, Dra. Patrícia Tavares, explica que a redução do estrogênio está associada a alterações importantes no organismo, como aumento da gordura visceral, piora do perfil lipídico, elevação da pressão arterial e maior inflamação. “Essas mudanças impactam diretamente o funcionamento dos vasos sanguíneos e elevam o risco cardiovascular”, destaca.

Outro desafio relevante está na identificação dos sintomas. Diferentemente do padrão mais conhecido, as mulheres tendem a apresentar sinais menos característicos. “Além da dor no peito, podem surgir sintomas como fadiga, náuseas, dor nas costas ou na mandíbula, desconforto abdominal, palpitações e tontura. Isso dificulta o reconhecimento precoce e pode atrasar o diagnóstico”, explica a Dra Patrícia.

Já a Dra. Ingred acrescenta que esse cenário é agravado por uma percepção distorcida dos sinais. “Muitas vezes, a mulher não associa esses sintomas a um problema cardíaco e, ao buscar atendimento, eles podem ser atribuídos à ansiedade ou a questões emocionais, sem investigação adequada.”

Os fatores de risco permanecem conhecidos – hipertensão, diabetes, dislipidemia, obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool -, mas continuam sendo subvalorizados na prática, especialmente entre as mulheres.

Desigualdades e lacunas no cuidado

Além dos aspectos clínicos, as especialistas apontam lacunas na produção científica. Mulheres ainda são sub-representadas em estudos cardiovasculares, o que limita a geração de evidências específicas para esse público.

A esse cenário somam-se fatores sociais. A dupla jornada, trabalho e responsabilidades domésticas, aliada a desigualdades econômicas e maior exposição ao estresse, contribui para o aumento do risco cardiovascular. “Essas condições impactam diretamente a pressão arterial, o metabolismo e a saúde vascular”, ressalta a Dra. Patrícia.

Atendimento especializado

A Rede Mater Dei conta, desde 2015, com um serviço estruturado de cardiologia da mulher, com equipe especializada e atendimento voltado às particularidades femininas. O modelo permite um acompanhamento mais preciso em todas as fases da vida, ampliando as chances de prevenção, diagnóstico precoce e cuidado contínuo.

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