Endividamento, sintomas depressivos, ansiedade, prejuízo funcional e conflitos familiares. Esses são alguns dos efeitos causados pela ludopatia, também chamada de vício em jogos. A prática excessiva, seja nos cassinos on-line ou nas plataformas de competições monetizadas, reforça a necessidade de ações de prevenção, cuidado e proteção social.
Pesquisa feita em 2025 pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito mostra que cerca de 39 milhões de brasileiros fizeram apostas em jogos ou plataformas digitais. O setor já movimenta cifras bilionárias, tendo ficado acima dos R$ 17 bilhões em receita bruta somente no 1º semestre de 2025, conforme levantamento da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF). Em paralelo, um levantamento do Instituto Locomotiva, divulgado pela Agência Brasil, apontou que ao menos 6 em cada 10 apostadores usaram plataformas irregulares em 2025.
O problema afeta, de modo mais concentrado, o público jovem e majoritariamente masculino, muitas vezes sem percepção clara dos riscos. E o impacto vai além da economia, com muitas famílias enfrentando consequências emocionais causadas pelo uso excessivo dessas plataformas. Segundo Leonardo Agostini Quintão, psiquiatra cooperado da Unimed-BH, entre os principais sinais de que o comportamento recreativo se tornou um quadro de dependência estão: o aumento progressivo dos valores apostados; a frequência maior do que a planejada; as tentativas sem sucesso de parar ou reduzir. “A pessoa compromete seu orçamento na expectativa de ganhar mais ou quitar dívidas”, explica.
De acordo com o especialista, as plataformas digitais tornaram o acesso muito mais fácil e disponível a qualquer hora, o que contribui para a elevação do número de casos. As respostas rápidas do meio digital podem induzir a compulsão, comportamento que se caracteriza como transtorno mental. “No caso de jogos relacionados a partidas de futebol, por exemplo, hoje é possível apostar em vários acontecimentos enquanto o jogo ainda está em andamento, como número de faltas, cartões ou escanteios, o que acaba desviando o interesse do próprio esporte”, explica.
O psiquiatra cooperado da Unimed-BH salienta ainda as consequências do vício no equilíbrio emocional, nos relacionamentos e na qualidade de vida de quem desenvolve a dependência. “A frustração ou desespero ao não atingir objetivos pode levar a comportamentos suicidas, separações conjugais, desemprego e negligência com familiares.”

Não deixe sua saúde mental ser eliminada na primeira fase
Grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de Futebol, ampliam a exposição do público a conteúdos e propagandas de apostas, reforçando a associação entre o ato de apostar e a experiência de assistir aos jogos. Nesse contexto, cresce a importância de iniciativas que estimulem a reflexão sobre os riscos desse comportamento.
Diante desse cenário, a Unimed-BH lançou uma campanha de conscientização voltada à prevenção de comportamentos de risco. A iniciativa reúne conteúdos informativos nas redes sociais, com apoio de influenciadores, além de inserções em rádios, no blog Viver Bem e no Circuito Mude1Hábito. Com identidade e linguagem alinhadas ao universo esportivo, as peças aproximam a mensagem do cotidiano do público.
Para o diretor da Unimed-BH, Paulo Roberto Lima Carreiro, o momento é estratégico para abordar o tema. “Este é o período de maior estímulo às apostas esportivas, impulsionado pela cobertura midiática, pela emoção coletiva e pela associação do jogo à diversão e ao pertencimento social. Tratar do assunto nesse cenário amplia o potencial de identificação, reflexão e reconhecimento de sinais de risco”, afirma.
Onde buscar ajuda para lidar com apostas
Pessoas que enfrentam dificuldades com apostas podem e devem buscar apoio especializado. Clientes da Unimed-BH contam com a Consulta On-line de Saúde Mental, disponível no aplicativo da Cooperativa, conforme cobertura. O acesso é simples: basta entrar no app e seguir o caminho Consultas > Mais Serviços > Saúde Mental.
A jornada começa com um breve questionário sobre o estado emocional recente, que permite direcionar o atendimento conforme as necessidades de cada pessoa. A consulta on-line funciona como porta de entrada para acolhimento profissional, avaliação de sintomas e orientação sobre os próximos passos do cuidado.
“Conversar com o médico de referência também é uma opção importante para identificar comportamentos compulsivos, como o vício em jogos, e, quando necessário, acessar o encaminhamento para acompanhamento especializado. Esses espaços representam um ponto de partida fundamental para quem busca orientação qualificada e apoio”, destaca Paulo Carreiro.



