Ação em Belo Horizonte expõe dificuldade para reconhecer doenças crônicas de pele
Na Rodoviária de Belo Horizonte, mais da metade do público que participou de um quiz sobre doenças crônicas de pele teve dificuldade para reconhecer as condições apresentadas a partir de imagens. O índice de baixo ou nenhum reconhecimento chegou a 54% no total, e foi ainda maior para hidradenite supurativa (76%), dermatite atópica (66%) e psoríase (64%). Os dados foram registrados nesta quinta (17), durante a etapa mineira do Tour Nacional pelas Doenças Crônicas de Pele, promovido pela Psoríase Brasil no Terminal Rodoviário Governador Israel Pinheiro.
O quiz fazia parte da exposição “Cada história é única” e convidava quem passava pelo local a dizer o quanto conhecia psoríase, hidradenite supurativa, dermatite atópica, vitiligo e alopecia areata. O contraste foi grande: enquanto apenas 18% demonstraram baixo ou nenhum reconhecimento do vitiligo, o percentual chegou a 48% para alopecia areata.
Entre as pessoas acompanhando a ação estava Vanessa Costa, diretora-geral do Terminal. Para ela, o tema não é distante: seu filho, hoje com 15 anos, convive com dermatite atópica desde os dois anos. “Quando a gente recebe o diagnóstico correto é um alívio. Hoje ela ataca um pouco menos do que quando ele era mais novo, mas ainda tem momentos em que se expressa de forma mais agressiva”, conta.
Vanessa lembra que as marcas visíveis da doença também já provocaram reações de quem não sabia o que estava vendo. “Tem gente que acha que aquilo pode ser algo contagioso, então evita até chegar perto”, relatou. Para ela, levar informação a um espaço por onde circulam cerca de 30 mil pessoas em dias normais ajuda justamente a enfrentar esse tipo de reação.
A resposta de quem passou pela exposição também chamou a atenção de Gladis Lima, presidente da Psoríase Brasil. Ao longo do dia, pessoas procuraram a equipe relatando alterações na pele que nem sabiam identificar. “A gente sentiu muito carinho e interesse aqui. A coordenação da Rodoviária foi maravilhosa e isso fez uma grande diferença no nosso trabalho, que é levar informação de qualidade à população”, afirma.
Em Minas, esse trabalho de reconhecimento encontra também uma nova possibilidade de cuidado. Desde maio, o Centro Estadual de Atenção Especializada (CEAE) de Muriaé, no interior do estado, oferece atendimento dermatológico especializado para pessoas com psoríase, dermatite atópica, urticária crônica e hidradenite supurativa. Enquanto o Tour leva informação e ajuda quem talvez ainda nem saiba reconhecer os sinais, o serviço de Muriaé atua na outra ponta, oferecendo acompanhamento especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Depois de Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte, o Tour Nacional segue pelo país. Em novembro, a mobilização chega ao Congresso Nacional, em Brasília, e Florianópolis também está entre as próximas cidades previstas.