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Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher reforça desafios do acesso e do cuidado humanizado no Brasil

No Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher, celebrado em 28 de maio, especialistas reforçam a importância do acesso integral e humanizado aos serviços de saúde feminina em todas as fases da vida. Em meio aos desafios ainda enfrentados pelas brasileiras, como mortalidade materna, dificuldade de acesso ao planejamento reprodutivo e assistência insuficiente no climatério, iniciativas que ampliam o cuidado especializado ganham destaque, como a Clínica de Saúde da Mulher da UniBH/Inspirali em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte.

A clínica foi inaugurada em março deste ano  e oferece atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com foco em saúde sexual, planejamento reprodutivo e climatério. O serviço funciona a partir de encaminhamentos realizados pela rede municipal de saúde de Belo Horizonte.

Segundo a professora de Ginecologia e Obstetrícia do UniBH e idealizadora do projeto, Daisy Martins, a clínica foi estruturada com base no conceito de cuidado integral e centrado na paciente, considerando não apenas aspectos biológicos, mas também emocionais, sociais e culturais da saúde da mulher. “O modelo assistencial valoriza a escuta qualificada, o respeito à autonomia e o acolhimento em todas as etapas do atendimento, e por se tratar de uma clínica-escola, há um cuidado adicional na abordagem, com discussões clínicas supervisionadas”, ressalta a professora.

Saúde da mulher ainda é um desafio em 2026

Para a médica, um dos principais desafios atuais da saúde da mulher é ampliar o acesso à informação e garantir atendimento mais inclusivo e humanizado. “Entre os principais desafios estão fortalecer a educação em saúde, garantir acesso oportuno a métodos contraceptivos eficazes e ampliar a assistência qualificada no climatério. Também é importante adaptar os serviços para atender mulheres com transtorno do espectro autista e condições que exigem abordagem multiprofissional, como a incontinência urinária”, explica.

Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que o fortalecimento da saúde sexual e reprodutiva segue como prioridade nacional. Em 2025, o Brasil registrou mais de 44 mil inserções de DIU apenas entre janeiro e julho pelo SUS, além da ampliação da capacitação de profissionais para oferta de métodos contraceptivos de longa duração.

A especialista ressalta que entre os serviços com maior procura está o planejamento reprodutivo, especialmente por métodos contraceptivos de longa duração, como DIU e implante subdérmico.

A demanda por métodos contraceptivos de longa duração tem crescido no Brasil, especialmente no SUS. Em 2025, o Ministério da Saúde incorporou o implante subdérmico contraceptivo Implanon à rede pública, com previsão de distribuição de 1,8 milhão de unidades até 2026. Só em 2025, foram previstas 500 mil unidades do dispositivo, considerado um dos métodos mais eficazes para prevenir gravidez não planejada.

O implante subdérmico pode durar até três anos e, na rede privada, custa entre R$2 mil e R$4 mil. A incorporação ao SUS foi acompanhada de um programa nacional de capacitação de profissionais de saúde para ampliar a oferta do método em todo o país. Em 2026, o Ministério da Saúde anunciou a qualificação de mais de 11 mil médicos e enfermeiros para inserção e acompanhamento do Implanon.

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