A frase “cólica é normal” aparece repetida e com frequência durante o período da menstruação. Mas a normalização de uma dor menstrual intensa é uma das principais barreiras para identificar a endometriose, doença inflamatória crônica em que células do tecido interno do útero crescem fora dele, provocando inflamação recorrente e dores que se agravam a cada ciclo.
A endometriose ainda é subdiagnosticada exatamente pela ideia de que sentir dor é parte da rotina da mulher e pessoas com útero, é o que aponta o Dr. Maurício Noviello Bechara, ginecologista coordenador do serviço de ginecologia do Hospital da Baleia.
“O Dia Internacional de Luta contra a Endometriose, celebrado em 7 de maio, reforça a importância de escutar esses sinais e buscar avaliação especializada, porque o diagnóstico precoce muda completamente o curso da doença e a qualidade de vida de pacientes”, o especialista reforça.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, mais de 190 milhões de pessoas. No Brasil, estimativas do Ministério da Saúde apontam que entre 7 e 8 milhões de mulheres podem ser afetadas pela endometriose.
Mesmo diante de números expressivos, o intervalo entre o início dos sintomas e a confirmação de diagnósticos ainda varia de sete a dez anos. Esse atraso está especialmente ligado à normalização dessas dores intensas e que, muitas vezes, são incapacitantes. Trata-se de uma prática que leva mulheres e profissionais de saúde a subestimar sintomas que exigem investigação.
Além das cólicas intensas, a endometriose pode se manifestar de formas menos evidentes: episódios repetidos de cistite sem evidência de infecção, que pioram durante a menstruação, por exemplo, podem indicar focos da doença na bexiga. Outros sinais de alerta incluem dor pélvica persistente, dor durante a relação sexual, dor ao evacuar ou urinar e dificuldade para engravidar.
O Dr. Maurício explica, ainda, que situações em que o tratamento clínico, como anticoncepcionais ou o DIU hormonal, não é suficiente para controlar a endometriose infiltrativa, especialmente nesse cenário em que a doença já atingiu órgãos como a bexiga ou o intestino, a cirurgia passa a ser indicada.
O Hospital da Baleia oferece cirurgia minimamente invasiva para esses casos, com abordagem individualizada, conforme o perfil de cada paciente, pelo serviço de cirurgia ginecológica. É um dos Centros de Tratamendo de Saúde da Mulher no Brasil que unem o trabalho da ginecologia e da coloproctologia nas cirurgias de endometriose profunda, permitindo uma única cirurgia com as duas especialidades.
A instituição filantrópica realiza mutirões periódicos ao longo do ano, beneficiando diversas mulheres que aguardam pelo procedimento cirúrgico na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais.



