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Estudo aponta que águas de fazenda do Grupo Agronelli sustentam em média 20% da vazão do Rio Uberaba no período de seca

A Fazenda São Francisco, propriedade do Grupo Agronelli em Uberaba (MG), tem desempenhado papel estratégico na manutenção da vazão do rio Uberaba, principal fonte de abastecimento da cidade. Dados do projeto de pesquisa realizado desde 2021 pelo Instituto Agronelli em parceria com a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), conduzido pelo geólogo e professor José Cláudio Viegas Campos, apontam que as drenagens existentes na propriedade contribuem, em média, com 20% da vazão do rio durante o período de estiagem.

As pesquisas fazem parte de uma série de estudos voltados à APA (Área de Proteção Ambiental) da Bacia Hidrográfica do Rio Uberaba, desenvolvidos desde 2016. Segundo o pesquisador, os levantamentos indicam uma redução progressiva da contribuição das águas subterrâneas para a manutenção da vazão do rio, cenário que se intensifica durante os períodos de seca e impacta diretamente o abastecimento público do município.

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Estudos são conduzidos pelo geólogo e professor da UFMT José Cláudio Viegas Campos
Arquivo Pessoal

O trabalho de conservação ambiental na Fazenda São Francisco teve início há mais de 30 anos, idealizado pelo engenheiro agrônomo e presidente do Grupo Agronelli, Marco Túlio Paolinelli. Em uma área antes marcada por processos erosivos e degradação ambiental, passaram a ser implementadas ações voltadas à recuperação de nascentes, contenção de erosões, construção de áreas de recarga e curvas de nível, resultando assim, na melhora da infiltração de água no solo. Ao longo das décadas, as iniciativas evoluíram e deram origem a projetos ambientais conduzidos atualmente pelo Instituto Agronelli.

“Sempre acreditamos que produzir e preservar precisam caminhar juntos. O trabalho desenvolvido na Fazenda São Francisco nasceu da preocupação em recuperar áreas degradadas e garantir que os recursos hídricos permanecessem disponíveis para as próximas gerações. Ver hoje esse impacto positivo no abastecimento de Uberaba reforça que investir em conservação ambiental é também investir no futuro da sociedade”, afirma Paolinelli.

Na Fazenda São Francisco, pesquisadores monitoram semanalmente a vazão de três bacias hidrográficas presentes na propriedade, além de realizarem medições em poços de observação para acompanhar o comportamento da água subterrânea. O objetivo é compreender como os aquíferos locais contribuem para a sustentação hídrica do Rio Uberaba ao longo do tempo.

“Quando analisamos especificamente o período seco, que é quando o Rio Uberaba apresenta as menores vazões, percebemos que a soma das contribuições das três bacias da Fazenda São Francisco representa aproximadamente 20% da vazão do rio. É uma contribuição extremamente significativa para o abastecimento do município”, destaca o professor José Cláudio Viegas Campos.

Segundo o pesquisador, os resultados obtidos também abrem caminho para novas estratégias de recuperação hídrica na região. A proposta é ampliar técnicas capazes de aumentar a infiltração da água no solo e fortalecer os reservatórios subterrâneos. “A ideia é utilizar metodologias como curvas de nível e outras práticas conservacionistas para aumentar a infiltração e, consequentemente, ampliar a disponibilidade hídrica durante os períodos de estiagem”, afirma.

O pesquisador ressalta ainda que o modelo implementado na Fazenda São Francisco poderá servir de referência para outras áreas inseridas na APA do Rio Uberaba. “Replicando essas técnicas em outras bacias, podemos ampliar a contribuição das águas subterrâneas para o Rio Uberaba e minimizar os impactos da estiagem até que a captação de água do Rio Grande seja concluída, o que ainda deve levar de quatro a cinco anos”, conclui.

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