Dos quintais mineiros para os pratos dos butecos: em 2026, as verduras assumem o centro das atenções na 26ª edição do Comida di Buteco, em Belo Horizonte. Entre os dias 10 de abril e 10 de maio, 128 bares da capital entram na disputa pelo título de melhor buteco da cidade, desafiados a criar receitas em que as verduras sejam protagonistas ou coadjuvantes dos petiscos concorrentes.
Mais do que seguir uma tendência gastronômica, o tema deste ano mergulha em um dos pilares da identidade cultural de Minas Gerais. Presentes nos quintais, hortas e mesas das famílias mineiras, as verduras traduzem a essência da cozinha afetiva e reforçam a conexão entre tradição e criatividade, marca registrada dos butecos da capital. “As verduras fazem parte da comida feita em casa, da horta no fundo do quintal. Levá-las para o centro dos petiscos é valorizar a nossa cultura e mostrar, mais uma vez, a capacidade criativa dos butecos mineiros”, destaca a cofundadora do Comida di Buteco, Maria Eulália Araújo.
Ainda segundo Eulália, couve, ora-pro-nóbis, taioba e tantas outras estrelas das hortas prometem ganhar releituras surpreendentes em receitas que traduzem o sabor de Minas. Além de BH, outros 50 municípios de Norte a Sul do país vão participar do concurso. No total serão 27 circuitos e mais de 1.100 butecos inscritos em todo o Brasil.

Escolha do melhor buteco
A dinâmica de avaliação na escolha do melhor buteco belo-horizontino segue a mesma das edições anteriores: público e jurados visitam os estabelecimentos dando notas de 1 a 10 em quatro quesitos: atendimento, temperatura da bebida, higiene e petisco. Este último leva 70% do peso da nota e as demais categorias 10% cada uma. O voto do público vale 50% da pontuação total, assim como o dos jurados.
A cada edição, o concurso promove uma saudável renovação: os últimos colocados deixam o circuito no ano seguinte, garantindo oxigenação e estimulando a competitividade. “O Comida di Buteco é sobre história, família e superação. É um palco onde pequenos empreendedores mostram sua força, sua cozinha de raiz e sua capacidade de se reinventar”, reforça Eulália.
Após a escolha dos campeões locais nos 27 circuitos espalhados pelo país, um novo corpo de jurados visita os vencedores para eleger, em julho, o melhor buteco do Brasil, em uma festa de premiação em São Paulo. Na edição passada, o título ficou com o Confraria do Fraga, de Belém do Pará. O petisco apresentado é uma homenagem à comida dos cangaceiros do sertão: “Capitão do Sertão de Virgulino Lampião e Maria Bonita”, bolinho de carne de sol suína com baião de dois, jabá, jambu, queijo coalho e cheiro verde, empanado no cuscuz de chicória.

Uma chave de impacto socioeconômico
Para além de um concurso gastronômico, Maria Eulália Araújo enfatiza que ao longo desses 26 anos, o Comida di Buteco consolidou-se como uma chave de impacto socioeconômico, transformando vidas por meio da cozinha de raiz. Em 2025, o concurso gerou mais de R$ 350 milhões de receita na cadeia produtiva do setor de bares e restaurantes, que receberam mais de 13 milhões de visitantes. Mais de 1200 butecos, em todo o país, já participaram das edições. “Só no ano passado, os 27 circuitos espalhados pelo Brasil atraíram 170 mil turistas. Mais de 16 mil empregos foram gerados”, afirma.
De acordo com o diretor de operações do Comida di Buteco, Filipe Tosta, ao movimentar bares de bairro, fortalecer pequenos empreendedores e atrair turistas, o concurso impulsiona a economia de Belo Horizonte e projeta nacionalmente histórias de vida que encontram na cozinha um instrumento de transformação social. “Mais que uma competição, o evento tornou-se um agente de mudança, valorizando a cozinha popular e dando protagonismo a quem faz do buteco uma extensão da casa, um espaço de encontro, afeto e resistência cultural”.
Serviço
26º Comida di Buteco
Quando: 10 de abril a 10 de maio
Lista de butecos e pratos participantes em BH Link
Preço dos pratos: R$ 40


