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Aprenda a se desligar do trabalho nas férias e voltar renovado

Aquele e-mail rápido, a checagem no grupo de trabalho ou a “última olhada” no sistema. O período de férias, tão aguardado, corre o risco de ser sabotado pela hiperconectividade e pela culpa de estar fora do escritório. No entanto, especialistas alertam: não se desligar completamente anula o propósito regenerativo do descanso, diminuindo o bem-estar e, ironicamente, a produtividade no retorno.

O ato de desconectar precisa ser intencional e estratégico. Muitos profissionais chegam às férias exaustos e levam a exaustão na bagagem. A mente continua em modo de alerta, monitorando crises imaginárias. “O descanso não é apenas um direito legal, é uma necessidade biológica e cognitiva. O cérebro precisa de um reset para consolidar memórias, reduzir o cortisol (hormônio do estresse) e restaurar a criatividade”, explica a Psicóloga e Doutora em Administração, Renata Livramento.

Um dos maiores desafios é a cultura da indispensabilidade. A crença de que “o trabalho vai parar sem mim” ou que “só eu sei fazer” é, segundo Renata, uma armadilha que beneficia o estresse, mas não a carreira. “Essa sensação de ser insubstituível é, na verdade, um sinal de falha na gestão. Uma organização saudável deve ter processos que permitam a ausência planejada de qualquer colaborador. Quando o profissional não consegue delegar ou estabelecer limites, ele retorna das férias com a mesma carga de esgotamento, o que é um fator de risco para o burnout”, alerta. 

Para garantir que o período de recesso cumpra seu papel de recarga, a psicóloga sugere que a preparação para as férias seja encarada como um projeto de gestão. “Não espere o último dia. Nas semanas que antecedem, é vital organizar o fluxo de trabalho. É fundamental mapear as tarefas críticas e designar um backup claro. Crie uma matriz de emergência. O que é realmente urgente e quem deve ser acionado? O que pode esperar 15 ou 30 dias? Comunique sua ausência de forma assertiva a clientes e colegas, estabelecendo expectativas. Se você se organizar para não ser acionado, você não será acionado”, orienta.

Redefinindo o ritmo

Passe menos tempo consumindo telas e mais tempo em atividades que exijam foco no presente. Isso pode ser cozinhar, ler um livro impresso, passar tempo na natureza. “A chave é engajar o cérebro em um modo diferente de processamento de informações. Quando você retorna, a sua capacidade de resolver problemas aumenta porque você permitiu que a mente processasse desafios de forma inconsciente,” ressalta a especialista.

O erro de muitos é marcar reuniões estratégicas logo na primeira manhã de volta. A volta deve ser gradual para manter o nível de energia e evitar o choque de estresse pós-férias. Reserve o primeiro dia, ou a primeira manhã, para organizar a caixa de entrada e se inteirar dos acontecimentos. Evite decisões complexas neste período e, acima de tudo, não tente compensar o tempo perdido com jornadas extenuantes.

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