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A ciência do movimento: o que realmente acontece no seu corpo quando você treina 

Com o início de um novo ano, as academias recebem uma leva significativa de alunos em busca de uma vida mais saudável. O Brasil, aliás, é o segundo país do mundo com mais frequentadores desses espaços de treino. Uma pesquisa divulgada pela Statista no início de 2025 revelou que 24% dos brasileiros afirmaram ter frequentado salas de musculação e outras atividades físicas nos últimos 12 meses — índice superado apenas pela Índia, que lidera com 27%. 

Embora as academias façam parte do nosso dia a dia, são poucos aqueles que se exercitam sabendo o que está por trás de cada esforço nos aparelhos: o corpo reage a cada estímulo com uma série de ajustes fisiológicos que promovem saúde, condicionamento e bem-estar. E não se trata apenas de “queimar calorias”, mas de transformar o organismo como um todo. É esse universo pouco visível, mas essencial, que revela a real importância de praticar atividade física com regularidade e consciência. 

Segundo a especialista em fisioterapia cardiorrespiratória Luana Godoy, professora do curso de Fisioterapia do Centro Universitário UniBH – integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima – logo nos primeiros minutos de atividade física, o corpo inicia um período de adaptação: a frequência cardíaca e a pressão arterial aumentam gradualmente para garantir o fluxo de sangue necessário aos músculos. A respiração acelera para suprir a demanda de oxigênio, enquanto moléculas energéticas como o ATP (adenosina trifosfato) são quebradas para gerar energia imediata. “Há também liberação de hormônios como adrenalina — responsáveis pelas adaptações cardiovasculares e respiratórias — e um aumento temporário da glicose no sangue, especialmente em treinos de resistência, para abastecer a musculatura”. 

Ainda de acordo com Godoy, a partir da prática regular e orientada de exercícios, diversas adaptações positivas ocorrem: músculos ganham aumento de resistência e força, e, em muitos casos, hipertrofia, resultado da reparação das microlesões nas fibras musculares provocadas pelo treino de força. “A massa muscular cresce e a musculatura se torna mais forte”, completa. 

Já o coração se adapta aumentando seu tamanho e a massa do ventrículo esquerdo, o que permite bombear mais sangue a cada batimento. Isso melhora a eficiência cardíaca, reduz a frequência de batimentos e contribui para uma circulação mais eficaz, controle da pressão arterial e metabolismo lipídico mais saudável. “A musculatura respiratória também se fortalece. Consequentemente a expansão pulmonar melhora e a troca gasosa se torna mais eficiente. Com isso, a oxigenação dos tecidos é otimizada, beneficiando todo o organismo”, explica 

Luana faz questão de reforçar que o exercício físico regular traz vantagens que vão além do ganho de massa muscular ou da melhora do condicionamento cardiorrespiratório. Os benefícios vão desde a saúde do sistema imunológico, com melhora da circulação de células de defesa e redução da inflamação, à saúde cerebral, neuroproteção e controle da dor crônica. 

Treinar com inteligência: por que a orientação profissional faz diferença?

Exercitar-se de forma consciente, conforme destaca a fisioterapeuta, significa respeitar a individualidade: avaliar a condição física, escolher o tipo de treino adequado, determinar carga, intensidade e frequência corretas. “Um treino bem prescrito, com acompanhamento profissional, faz a diferença. Por outro lado, treinar sem orientação, com sobrecarga exagerada, técnica incorreta ou sem respeito aos sinais do corpo eleva o risco de lesões”, explica. 

Sinais de boa adaptação incluem disposição, melhora da força, sono, humor e desempenho. Já indícios de alerta podem ser fadiga excessiva, dores persistentes, tontura, queda de desempenho ou lesões. “Suar muito não significa treinar melhor; o indicador de um bom treino não está na quantidade de suor, mas na constância, na técnica correta e na recuperação adequada”, esclarece Luana Godoy. 

Por fim, a especialista enfatiza que o exercício físico não é apenas um meio para estética ou condicionamento imediato, mas um investimento de médio e longo prazo na saúde global do corpo e da mente. “Da próxima vez que você calçar os tênis ou entrar na academia, vale lembrar: cada batida de coração acelerada, cada respiração ofegante, cada gota de suor são sinais de mudanças profundas em nível celular, circulatório e metabólico, e de que o corpo está respondendo de forma inteligente, sempre que respeitado”. 

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