O CCBB BH recebe entre os próximos dias 07 e 31 de agosto, uma temporada do espetáculo “A Hora do Boi”, monólogo de Vandré Silveira. A montagem, indicada a vários prêmios, como Shell e APTR, durante temporadas de sucesso no Rio de Janeiro e São Paulo, chega agora a capital mineira – terra natal do ator.
Com dramaturgia inspirada em uma história real, o espetáculo teve como ponto de partida uma notícia publicada no jornal “A Tarde”, de Salvador, que anunciava o seguinte: “Na última quinta (29/11/2018) pela manhã, um boi foi visto no mar da praia de Stella Mares, em Salvador. As fortes ondas não o intimidaram, apesar das tentativas dos banhistas de direcioná-lo para a areia. O animal da raça Nelore escapou da feira de agronegócios Fenagro, que acontece no Parque de Exposições em Salvador, e ficou desaparecido durante cinco dias na cidade.”
“Estou muito feliz com a oportunidade de levar ao público mineiro, a história de amor e empatia de um homem e um boi que nos faz repensar nossa relação com o planeta e com todos os seres que o habitam. Minha última apresentação na cidade ocorreu em 2016, com o espetáculo ‘O Homem Elefante’, há exatos 10 anos. Estava com saudades de pisar no palco da minha cidade natal, onde me formei como ator. Sou cria do CEFART (Centro de Formação Artística e Tecnológica), da Fundação Clóvis Salgado (Palácio das Artes), e muito me orgulho da minha formação e trajetória profissional, ao longo desses 25 anos de carreira, com trabalhos no teatro, na TV e no cinema. É muito especial para mim e para o projeto cumprirmos essa temporada em Belo Horizonte, onde completaremos 100 apresentações de ‘A Hora do Boi’ justamente no dia da estreia no CCBB BH.
Aliás, sempre desejei me apresentar no CCBB BH, um importante e necessário aparelho cultural que estimula e difunde a produção cultural e artística nacional. Esse é um momento de celebração. Após seis temporadas de sucesso de público e crítica, nas cidades do Rio de Janeiro e em São Paulo, chegamos ao CCBB BH para uma temporada de um mês que coroa toda essa trajetória e culmina nesse marco da centésima apresentação do espetáculo. É com muita alegria que convido todos os meus conterrâneos para conhecer a história de Seu Francisco, um homem que trabalha num abatedouro de bois e o boi Chico, salvo em seu nascimento e criado sob os cuidados deste trabalhador humilde, mas que um dia deverá cumprir a ordem de matar seu fiel companheiro. Um dilema que talvez só a fé ou o teatro poderiam solucionar. São Francisco também está presente na encenação, como um narrador, num jogo entre espiritualidade, humanidade, animalidade e o próprio fazer teatral”, afirma Vandré Silveira.
Na montagem, Vandré mostra toda sua força de atuação ao interpretar os três personagens principais – seu Francisco, o boi Chico e São Francisco de Assis – no monólogo que conta a história do capataz de uma fazenda que tem seus sentimentos colocados em xeque ao saber que, um dia, terá de abater o boi que manteve sob seus cuidados, com quem teve uma grande relação de amizade e afeto. Com direção de André Paes Leme, o texto de Daniela Pereira de Carvalho é baseado em uma história real, ocorrida e noticiada em Salvador, Bahia.
“Como artista, me sinto realizado em perceber que a Arte que construímos tem despertado reflexões e que podem gerar ações concretas de mudança por uma sociedade mais justa e equilibrada, que contempla os interesses de uma coletividade para além do humano”, destaca Vandré Silveira.
A performance visceral de Vandré no espetáculo, que reflete sobre a igualdade entre os seres vivos, recebeu menções e indicações na cena teatral. Em janeiro de 2023, “A Hora do Boi” estreou no Poeirinha, cumpriu temporada no Teatro Municipal Sérgio Porto e foi eleito um dos melhores espetáculos pelo “Segundo Caderno”, do jornal “O Globo”. O espetáculo também foi indicado ao 34º Prêmio Shell pelo Figurino (Carlos Alberto Nunes) e ao 18º Prêmio APTR (Associação de Produtores de Teatro) pela Direção de Movimento (Paula Aguas e Toni Rodrigues). Em 2025, repetiu seus feitos, seguindo elogiado por plateias na temporada realizada no Teatro Domingos de Oliveira (Planetário da Gávea). E, em 2026, retornou para sua quarta temporada na cidade, no CCJF – Centro Cultural Justiça Federal, entre janeiro e fevereiro.
“A Hora do Boi busca, a partir dessa relação entre homem e animal, trazer reflexões e uma possível mudança em nossas ações cotidianas em prol de maior sintonia, respeito e empatia entre todos os seres”, reflete Vandré, que foi buscar os escritos e histórias de São Francisco de Assis sobre a natureza dos seres vivos para dar sentido ao espetáculo.
Para o homem Francisco, nascido em Assis, na Itália, nos idos do Século XII, ninguém é suficientemente perfeito que não possa aprender com o outro e, ninguém é totalmente destituído de valores que não possa ensinar algo ao seu irmão. Francisco enxergava todos os seres vivos como igualmente importantes e tinha profunda relação com a natureza e os animais.
Seguindo com este ensinamento, a trama apresenta dois personagens: Seu Francisco e Chico, que estabelecem uma ligação afetiva de profunda empatia e amizade, sentimentos que põem em cheque toda a objetividade das funções de Seu Francisco, como um matador de bois. Apegado ao boi, Seu Francisco, apavorado, vê se aproximar a hora do abate de Chico – única criatura com a qual estabeleceu um vínculo na vida.
Seu Francisco nunca deixou de cumprir ordens. Manso e submisso, abateu centenas e centenas de cabeças de gado a mando dos patrões – sem sentir nada, nem refletir sobre seus atos. A amizade com Chico, entretanto, mudou sua vida. É alguém com significado. Ao seu lado, o boi Chico vive a agonia do condenado, injustamente, no corredor da morte, com a peculiaridade de amar o próprio algoz e depositar, nesse laço de afeto, esperanças de salvação.
Além dos palcos, o ator também celebra ótima fase no audiovisual. Ele está na novela “Quem Ama Cuida” como Edson, par romântico de Deborah Evelyn (Carmita), na TV Globo, e no remake de “Dona Beja”, no Max. Estão previstas as estreias, em 2027, de dois filmes da doutrina espírita, “Nosso Lar 3” e “Emmanuel”. Neste último, Vandré faz Paulo de Tarso, mentor espiritual de Chico Xavier. “Eu não conhecia a história dele. Foi uma figura que perseguia cristãos, era cruel, mas no meio do caminho para Damasco teve uma revelação, e isso o faz mudar o rumo de sua história, passando a espalhar o cristianismo. Isso me tocou profundamente, pensando na humanidade desse homem e o quanto ele nos ensina que sempre podemos fazer uma escolha melhor em busca da evolução”, conta Vandré.


