O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu na última quinta-feira (23/07) um alerta de tempo seco para 304 cidades mineiras, com previsão de umidade relativa do ar entre 20% e 30%. O índice é considerado alarmante e abaixo da faixa de 40% a 70% recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como saudável para a população.
O tempo seco já provoca desidratação e irritação das vias respiratórias, agravando crises de asma e alergias. A combinação da ausência de chuvas com o ressecamento da vegetação aponta também para o risco de aumento de incêndio em matas e florestas.
No informe semanal de Monitoramento de Incêndios Florestais para Vigilância em Saúde divulgado pelo Ministério da Saúde na terça-feira (21/07), Minas Gerais apareceu como o sexto estado do país com maior número de focos de calor na última semana.
O monitoramento ocorre durante a atuação do El Niño, fenômeno que deve durar até o início de 2027, em que as temperaturas devem permanecer acima da média e chuvas abaixo do esperado na porção Centro-Norte do país entre julho e setembro, favorecendo tanto a estiagem quanto a propagação de incêndios florestais.
Diante desse quadro, e com a previsão de que o tempo seco e o risco de queimadas se mantenham elevados nos próximos meses, especialistas do Hospital da Baleia reforçam a importância de cuidados redobrados com a saúde respiratória, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Fumaça das queimadas: um risco silencioso
Segundo a pneumologista pediátrica do Hospital da Baleia, Fabiana Lima, a fumaça das queimadas carrega uma combinação de gases tóxicos e partículas finas capazes de penetrar profundamente nos pulmões e até atingir a corrente sanguínea. Com o ar seco típico do período, esses poluentes ficam mais concentrados, ampliando a exposição da população.
Entre os efeitos mais comuns estão irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse, falta de ar e piora de quadros respiratórios preexistentes, como asma, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
A médica alerta, ainda, para o aumento do risco de pneumonias e de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC, em pessoas mais vulneráveis. Em crianças, a exposição à fumaça costuma elevar a frequência de crises de chiado no peito e o número de atendimentos de urgência.
Grupos mais vulneráveis
De acordo com a especialista, merecem atenção redobrada:
- Crianças, principalmente menores de 5 anos, cujo sistema respiratório ainda está em desenvolvimento;
- Idosos, com maior fragilidade respiratória e cardiovascular;
- Pessoas com doenças respiratórias, como asma, bronquite, DPOC e fibrose pulmonar;
- Cardiopatas, que podem apresentar descompensação diante da exposição a poluentes;
- Gestantes, pelos possíveis impactos sobre a saúde materna e fetal.
Recomendações
Entrevistados, a pneumologista e o pediatra Marcio Ministério, ambos médicos no Hospital da Baleia, destacam medidas simples que ajudam a reduzir os impactos do tempo seco e da fumaça:
- Manter boa hidratação ao longo do dia, mesmo sem sentir sede;
- Evitar atividades físicas intensas ao ar livre e reduzir a permanência em ambientes externos em dias de fumaça ou má qualidade do ar;
- Manter ambientes limpos e bem ventilados;
- Não interromper o tratamento de doenças respiratórias sem orientação médica;
- Em situações de fumaça intensa, usar máscaras do tipo PFF2/N95 para adolescentes e adultos. Mas atenção, esse equipamento não deve ser usado em crianças menores de 2 anos.
- Buscar atendimento médico diante de falta de ar, chiado no peito, dor no peito, febre persistente ou piora dos sintomas respiratórios;
- Manter portas e janelas fechadas em períodos de maior poluição do ar, priorizando ambientes ventilados ou com purificadores de ar;
- Evitar fontes internas de fumaça, como fogões à lenha, lareiras, velas e cigarro, que pioram a qualidade do ar dentro de casa;
- Ao dirigir em dias de baixa visibilidade por fumaça, manter os vidros fechados e o ar-condicionado em modo de recirculação;
- Nunca descartar bitucas de cigarro ou fósforos acesos na vegetação, não soltar balões ou fogos de artifício e não acender fogueiras.
Cuidados específicos com as crianças
Para o público infantil, as recomendações incluem oferecer água com frequência, mesmo sem sinais de sede, e incentivar o consumo de frutas ricas em água; realizar lavagem nasal com soro fisiológico para aliviar o ressecamento das vias aéreas; e ficar atento a sinais de alerta como respiração rápida, esforço para respirar, chiado no peito, sonolência excessiva, dificuldade para se alimentar e coloração arroxeada dos lábios. Essas situações exigem avaliação médica imediata.
Crianças com asma, rinite alérgica ou outras doenças respiratórias devem manter rigorosamente o tratamento prescrito e seguir o plano de ação para crises orientado pelo pediatra.


