Em atenção ao Dia Nacional da Criança Traqueostomizada, 18 de fevereiro, especialistas alertam para uma das principais causas de internação neonatal e pediátrica no Brasil: a bronquiolite. A recente ampliação do acesso à vacina contra a doença pelo Sistema Único de Saúde (SUS) reforça o papel da prevenção, especialmente entre bebês prematuros, grupo mais vulnerável a complicações respiratórias graves.
A vacina, que na rede particular pode custar cerca de R$ 2.500, passa a estar disponível pelo SUS para bebês prematuros com até 36 semanas e seis dias de gestação, além de crianças de até 23 meses com condições clínicas que aumentam o risco de complicações respiratórias.
“É muito acertada a ampliação do acesso à vacina contra a bronquiolite pelo SUS. Trata-se de uma excelente notícia para a saúde materno-infantil. A bronquiolite permanece como uma das principais causas de internação neonatal e pediátrica, em razão da maior vulnerabilidade respiratória dessa população. Por isso, orientar as famílias, investir em prevenção e garantir o diagnóstico precoce são medidas essenciais para reduzir complicações e salvar vidas”, destaca Tilza Tavares, médica neonatologista e Diretora Técnica do Neocenter Maternidade.
Quando a bronquiolite evolui para quadros graves
A bronquiolite é uma infecção respiratória viral que pode evoluir rapidamente em recém-nascidos, principalmente nos prematuros. A inflamação dos bronquíolos compromete a passagem de ar e, nos casos mais graves, pode levar à necessidade de suporte ventilatório intensivo.
Em situações de ventilação prolongada, pode ser indicada a traqueostomia — procedimento que cria uma via aérea alternativa para garantir a respiração adequada.
Um caso real que reforça o alerta
A história da Melissa ilustra o quanto a doença pode ser imprevisível.
“Melissa nasceu em março de 2023 em um parto domiciliar, estávamos apenas eu e o pai dela, foi a coisa mais maravilhosa, ela nasceu perfeita! Porém com 15 dias de vida ela teve uma bronquiolite e precisou ser internada”, relata Charlene L. Mendes, mãe da Melissa.
O quadro evoluiu rapidamente, exigindo transferência para Belo Horizonte e internação em unidade especializada do Neocenter.
“Tudo a princípio foi bem assustador, fiquei com muito medo, eu nunca tinha ouvido falar em traqueostomia, não conhecia nenhuma criança traqueostomizada.”
A evolução exigiu ventilação mecânica e, posteriormente, traqueostomia. Hoje, quase três anos depois, Melissa apresenta desenvolvimento compatível com a idade, mas a trajetória reforça a importância do diagnóstico precoce e da estrutura hospitalar adequada para quadros respiratórios graves.
Dados que reforçam a importância da prevenção
Durante os períodos sazonais de maior circulação viral, retorno às aulas, pós-feriados, outono e inverno, as internações por bronquiolite aumentam significativamente, evidenciam o impacto da doença na prática assistencial, reforçam a importância de políticas públicas de prevenção e acesso à imunização.
Estrutura especializada faz diferença
O Neocenter é o mais tradicional grupo de Medicina Intensiva Neonatal e Pediátrica de Minas Gerais, com mais de trinta anos de atuação no cuidado de bebês prematuros e pacientes pediátricos de alta complexidade.
Com atuação focada em alta complexidade neonatal e pediátrica, o Grupo destaca que iniciativas de prevenção, aliadas ao acompanhamento especializado, são fundamentais para reduzir complicações e salvar vidas — especialmente entre os bebês mais vulneráveis.
Atualmente, o Grupo atua no Neocenter Maternidade, no Neocenter Felício Rocho e avança na implantação de um Centro de Referência Materno-Infantil em Divinópolis.
Prevenção como estratégia de saúde pública
Especialistas do Neocenter destacam que a ampliação da vacinação pelo SUS representa um avanço importante na proteção dos bebês mais vulneráveis.
Além da imunização, medidas como:
- Higienização frequente das mãos
- Evitar exposição a ambientes fechados e aglomerações em períodos de circulação viral
- Evitar contato com pessoas sintomáticas
- Procurar atendimento ao primeiro sinal de dificuldade respiratória são fundamentais para reduzir internações e complicações.
Sinais de alerta para as famílias
Os principais sinais que indicam necessidade de avaliação médica imediata são:
- Respiração acelerada
- Esforço respiratório (afundamento das costelas)
- Gemido ao respirar
- Dificuldade para mamar
- Coloração arroxeada dos lábios
- Sonolência excessiva
Em casos graves, a atuação rápida pode evitar evolução para insuficiência respiratória.
Foto: Casos como de Melissa ilustram o quanto a bronquiolite pode ser imprevisível (arquivo pessoal).


