Se antes a iluminação era tratada como o estágio final de uma obra, em 2026 ela assume o papel de espinha dorsal do projeto de interiores. O novo luxo já não está no excesso de brilho ou em soluções ostensivas, mas na gestão da sombra, no conforto atmosférico e na capacidade da luz de transformar silenciosamente a experiência de morar.
Essa virada reflete uma mudança profunda no modo como habitamos os espaços. A iluminação deixa de ser apenas funcional e passa a atuar como linguagem arquitetônica, dialogando com volumes, materiais e, sobretudo, com o ritmo de vida das pessoas. Tons quentes, temperaturas suaves e luzes moduláveis substituem a iluminação branca intensa, criando ambientes mais íntimos, acolhedores e emocionalmente equilibrados.
“A iluminação hoje não é mais sobre enxergar melhor, mas sobre sentir melhor o espaço. A luz precisa acompanhar o ritmo do corpo, respeitar o tempo da casa e transformar a vivência cotidiana”, afirma Eliane Vieira, Gerente e Especialista em Iluminação da Andra.
Essa abordagem tem ganhado força em eventos internacionais como a Euroluce, feira bienal de iluminação realizada em Milão, onde a chamada luz invisível aparece como protagonista. São projetos que apostam em soluções indiretas, embutidas e integradas à arquitetura, capazes de revelar texturas, volumes e materiais sem competir visualmente com o espaço. A luz aparece sem ser vista, mas é plenamente sentida.
Ao mesmo tempo, luminárias deixam de ser coadjuvantes e assumem um papel quase escultórico. Na curadoria visual, as peças deixam de ser meros utilitários para se tornarem verdadeiras esculturas de luz. Espere ver o retorno do vidro soprado artesanal, estruturas em travertino e metais com pátinas orgânicas, que conferem uma aura de “obra única” ao ambiente. A tecnologia, agora quase silenciosa, permite que uma sala de jantar se transforme de uma galeria de arte vibrante em um refúgio introspectivo, ao toque de um dimmer invisível.

A paleta de acabamentos acompanha esse movimento mais sensorial e sofisticado. Metais ganham novas leituras em latão escovado, bronze oxidado e níquel acetinado, muitas vezes combinados a superfícies naturais como madeira, fibras e pedras. O resultado são interiores táteis, atemporais e emocionalmente envolventes.
A tecnologia segue presente, mas agora de forma quase invisível. Sistemas de iluminação biodinâmica, que ajustam intensidade e temperatura da luz ao longo do dia, respeitam o ciclo circadiano dos moradores, o relógio interno do corpo que regula sono, vigília, humor e energia. Pela manhã, luz mais clara e azulada ajuda a despertar e aumentar a atenção; à noite, tons quentes e suaves estimulam a produção de melatonina, preparando para o descanso. Essa sincronização natural promove bem-estar, melhora a qualidade do sono e cria uma relação mais saudável com os espaços da casa, fazendo da iluminação não apenas um recurso visual, mas um verdadeiro aliado da saúde e do conforto emocional.
“O futuro da iluminação está na criação de cenários, não na imposição de soluções técnicas. É uma luz que respeita a arquitetura, valoriza os materiais e se adapta à vida real das pessoas”, completa Eliane.
Nesse novo contexto, tendências previsíveis e excessivamente técnicas ficam para trás. Em seu lugar surge uma iluminação mais autoral, que revisita referências clássicas sob uma nova ótica, com materiais contemporâneos, proporções mais suaves e um olhar atento ao conforto emocional.
Para 2026, a iluminação se consolida como um dos principais pilares do bem-estar e da identidade dos interiores. Uma luz que não apenas ilumina, mas acolhe, conecta e transforma.


