Colunista

“Fazer dieta”: se a mudança for temporária, o resultado também será.

Costumo dizer aos meus pacientes: fazer dieta não é fazer uma mudança temporária para alcançar um objetivo, e sim, fazer uma mudança permanente para sustentar os resultados conquistados. E essa ideia resume bem um dos maiores desafios quando falamos de alimentação e saúde.

Muitas pessoas entram em uma “dieta” com prazo para acabar: algumas semanas ou meses dedicados a perder peso na balança, melhorar algum indicador de saúde, ou apenas para emagrecer para caber em uma roupa. O problema é que, quando a estratégia termina, frequentemente os antigos hábitos retornam — e, com eles, também voltam o peso excessivo, o cansaço e os desconfortos que haviam motivado a mudança.

Na prática, o que realmente traz resultados consistentes é a construção de um novo padrão de vida. Isso inclui ajustar a alimentação, organizar a rotina alimentar, valorizar a variedade (na medida em que  bolso permitir) e alimentos mais naturais, e associar esses cuidados à prática regular de exercício físico.

Esse princípio também se aplica aos diferentes objetivos que muitas pessoas buscam com alimentação ajustada e treino. Se houve uma mudança alimentar voltada para o emagrecimento — com redução de gordura corporal e ganho ou preservação de massa muscular — é importante compreender que os resultados obtidos dependem da continuidade desse novo padrão alimentar: escolhas mais equilibradas, atenção às quantidades e qualidade dos alimentos consumidos, exercício físico. Da mesma forma, quando o objetivo é a hipertrofia muscular, a manutenção dessa massa também exige continuidade. Isso envolve uma alimentação em maior volume, compatível com a demanda do corpo, com aporte adequado de nutrientes, além da não interrupção do treinamento de força.

dieta2-1024x682 “Fazer dieta”: se a mudança for temporária, o resultado também será.

Por isso, mais do que pressa e imediatismo, o processo pede perseverança. O corpo responde melhor a mudanças graduais, que respeitam o ritmo de cada pessoa e que podem ser incorporadas à rotina de forma sustentável.

Também é importante lembrar que alimentação saudável não significa rigidez ou perfeição. Significa construir uma relação equilibrada com a comida, fazer boas escolhas na maior parte do tempo (quando exagerar, voltar ao controle já na próxima refeição) e entender que saúde se constrói no conjunto dos hábitos do dia a dia — alimentação, movimento, sono e manejo do estresse e água.

Talvez a principal mudança seja justamente essa de perspectiva: parar de pensar em dieta como algo que começa e termina, e passar a enxergar o cuidado com a alimentação como parte de um estilo de vida que sustenta a saúde, promove energia e bem-estar ao longo do tempo.

Cuide-se!
Até breve
Marcela nutri

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Marcela Rodrigues Rocha
Nutricionista (CRN9 – 5529), especialista em Gastronomia (FAMESP), Mestre em Ciências dos Alimentos (IFTM) e Doutora em Engenharia de Alimentos – USP.
@marceladricha
Fotos: FreePick

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